Blog - Olho de Biólogo



O cotidiano revisto e comentado sob o ponto de vista de pesquisadores.

A imprensa nos expõe fequentemente a notícias sobre o nosso meio ambiente. Estas informações são levadas ao público pelas palavras de jornalistas. O “Instituto Mar Adentro” oferece neste espaço a oportunidade para as pessoas terem um outro olhar sobre os fatos. Um olhar de pesquisadores que se dedicam às ciências biológicas/ambientais. Deixe você também o seu ponto de vista, e vamos juntos em busca do caminho que melhore nossa qualidade de vida.



Baiacus espertos

Escrito por Aline Aguiar
Sáb, 29 de Setembro de 2012 11:51
Instituto

Usando câmeras subaquáticas uma equipe japonesa descobriu que um baiacu pequeno de alguns centímetros de comprimento, cria estas esculturas enormes utilizando o gesto de uma única barbatana para esculpir a areia. Acredita-se que as esculturas servem para atrair parceiros e mais tarde atuam como um tampão natural para as correntes oceânicas, protegendo os ovos que ficam no centro. Nossa natureza é absolutamente a coisa mais incrível do planeta.

Última atualização em Sáb, 29 de Setembro de 2012 18:39
 

Mata Atlântica? Até Quando?

Escrito por Petrus
Sex, 10 de Fevereiro de 2012 08:48
Instituto

Por Renan Longo

Todas às vezes que visito a Mata Atlântica, seja no Rio de Janeiro ou em qualquer outro local da costa brasileira, além de apreciar sua beleza única, fico imaginando até quando ela irá perdurar?!  Primeiramente, observo que em muito locais a Mata Atlântica está fragmentada e com formação de borda de mata, o que modifica suas características originais, podendo causar alterações na estrutura, composição e na abundância relativa das espécies, na parte marginal do fragmento. Podemos ainda citar como consequência destas inserções: a perda de espécies nativas e a invasão por espécies exóticas; erosão do solo; e perda de qualidade da água na bacia de drenagem local.

Nos últimos 25 anos nosso país perdeu pelo menos 1.722.100 hectares de Mata Atlântica (Fonte: INPE), o quê nos atenta para a necessidade de movimentos de proteção desse bioma. Por incrível que pareça, o Rio de Janeiro é, ainda, o segundo estado com maior percentual de Mata Atlântica remanescente no território brasileiro (18,38%), ficando atrás apenas para o estado de Santa Catarina (22,10%) (Fonte: SOS Mata Atlântica). Isso deixa claro que ainda podemos, e temos sim, que preservá-la.

No Rio de Janeiro ainda existem belos locais de mata preservada, como na Costa Verde (Municípios de Mangaratiba e Angra dos Reis), onde Bugios e Jaguatiricas podem ser vistos com certa freqüência. Em contrapartida, na mesma Costa Verde, podemos observar grandes áreas de proteção ambiental invadidas, com casas, pastagens e plantações extensas. Não só no Rio de Janeiro, mas como no Brasil inteiro, precisamos estar mais atentos ao efeito de borda e suas respectivas consequências para Mata Atlântica e para nós, antes que seja tarde demais.

Última atualização em Sex, 10 de Fevereiro de 2012 08:52
 

Sobre raiva e pinguins

Escrito por Petrus
Ter, 22 de Novembro de 2011 17:58
Instituto

Por Juliette Savin

O plástico é uma das melhores e piores coisas que aconteceu à humanidade. Eu sempre soube disso. Há um tempo atrás, trabalhei na Região do Lagos. Lembro que uma das coisas que mais me marcou do tempo passado lá, e me deixou com muita raiva, foi a quantidade de plástico na beira do rio e na praia... Não vou dizer de qual rio ou qual cidade estou falando, e na verdade poderia estar falando de qualquer rio ou qualquer cidade do Brasil ou do mundo, mas fiquei chocada mesmo. Poderia tambem relatar uma viagem num deserto Africano, onde, de novo, o que mais me chocou foi .... a quantidade de sacolas plásticas na beira da estrada, voando, livres nesse deserto de pedras.

Quanta raiva precisamos sentir, o que precisamos ver, ler, ouvir para nos darmos conta que o quê estamos fazendo é ruim para o ambiente?

Preciso contar outra história para esclarecer o meu pensamento. Há pouco tempo atrás, uma amiga me mandou o seu artigo publicado recentemente na revista Marine Pollution Bulletin. Eu leio artigos científicos, esse é o meu trabalho. Estou acostumada e tenho uma rotina quando a faço. Normalmente sou rápida, mas dessa vez, para ler o artigo da minha amiga, fui muito lenta. Aliás, pior do que lenta: nunca consegui acabar! O artigo era sobre pinguins que visitam o litoral brasileiro. Descrevia o lixo, em particular o lixo plástico, que um grupo de 175 pinguins achados mortos na Região do Lagos, no Rio de Janeiro, tinha ingerido.

Estava com tanta raiva que não consegui continuar. Não queria mais ler sobre os danos que a nossa sociedade está causando aos seres vivos que vivem do nosso lado. E não queria nunca mais ter que ler, ver, ouvir uma palavra sobre o impacto desse danado plástico no ambiente! Mas, infelizmente, vou ter que atuar, porque é só o inicio. Então a minha pergunta hoje é essa: o que precisamos ver, ler, ouvir para nos darmos conta que o que estamos fazendo é ruim para o ambiente? Eu vi o plástico na praia e no deserto, e agora tento não usar mais plástico. Não uso sacola de plástico no mercado, e compro o mínimo de ingredientes embalados em plástico...

Vamos, cada um, tentar ficar com raiva do que lemos, vemos e ouvimos, e vamos tentar atuar a favor do ambiente?

O artigo esta accessível aqui .

 

Como podemos ajudar as tartarugas marinhas

Escrito por Petrus
Seg, 04 de Julho de 2011 12:21
Instituto

Por Raquel Neves

Todas as espécies de tartarugas marinhas (conhecidas como tartaruga verde, cabeçuda, de couro, de pente e oliva) encontradas no Brasil estão ameaçadas de extinção, baseado em critérios da lista brasileira e mundial de espécies ameaçadas.  Dentre as ameaças naturais enfrentadas pelas tartarugas que vão desde a fase de ovo (normalmente depositado no litoral, mas estes também são depositados em ilhas oceânicas) até a vida adulta – de cada mil filhotes que nascem somente um ou dois conseguem atingir a maturidade; ainda existem ameaçadas associadas aos impactos do homem.


Uma das causas de morte de tartarugas marinhas está associada diretamente aos maus hábitos humanos e ao desordenamento da ocupação do litoral: a ingestão de lixo (TAMAR).


As tartarugas apresentam hábitos alimentares preferenciais, mas são oportunistas se alimentando de presas de fácil captura e por isso acabam ingerindo lixo acidentalmente. Dentre os itens estão sacos plásticos, pedaços de embalagens, lonas, linhas de pesca e outras coisas que não são mais úteis aos humanos e são jogadas em qualquer lugar.


Além do centro de reabilitação e recuperação de tartarugas marinhas do projeto TAMAR (em bases espalhadas pelo litoral brasileiro), existe também o Centro de Recuperação de Animais Marinhos (Cram) do Museu Oceanográfico da FURG (Rio Grande/ RS).  Este último relata que 99% das tartarugas que chegam ao centro são vítimas de ingestão de lixo.

Como podemos ajudar as tartarugas marinhas?


Além de incentivarmos e apoiarmos projetos de proteção das tartarugas, podemos também atuar fazendo a nossa parte e jogando o lixo no seu devido lugar. Priorizando sempre o reaproveitamento e reciclagem de material como plásticos, vidro, papel e papelão. E ainda, a conscientizando as pessoas quanto aos riscos de se jogar lixo em praias e nas ruas, já que esse pode chegar ao ambiente marinho por escoamento de água da chuva em rios e lagoas que se ligam ao mar.  

Projeto Tamar: http://www.tamar.org.br/

 

 

Os oceanos também precisam de um panda...

Escrito por Petrus
Dom, 26 de Junho de 2011 14:58
Instituto

Por Juliette Savin

Quando você pensa em animais em extinção, você pensa em que? A maioria das pessoas provavelmente responderia elefante, gorila, mico leão dourado ou o famoso panda, ícone do WWF. O golfinho talvez. Reparem que a maioria dessas ‘mascotes’ para a preservação de espécies em extinção são mamíferos e a maioria terrestres, não aquáticas.

Segundo um grupo de cientistas espanhóis e canadenses, os oceanos também precisam de uma mascote que represente a luta por sua preservação no inconsciente do público. Este grupo está propondo que a lula gigante cumpra o papel. 

Por que a lula?? Em primeiro lugar porque é um molusco, invertebrado marinho (grupo composto por animais como águas-vivas, plâncton e corais) que tem credencial com o público.  Apesar dos invertebrados marinhos serem muito importantes para a biodiversidade dos oceanos, eles têm tido pouco interesse político e do público. A lula gigante é uma exceção: segundo o estudo, publicado na revista Biological Conservation em em maio desse ano, o gigante do mares tem sido o assunto de exposições, programas de TV, matérias de revista e websites, no mundo inteiro.

Além disso, a lula gigante é um bom indicador de como as mudanças do clima nos oceanos, impactos associados a temperatura e acidez, e a poluição podem afetar os invertebrados marinhos.

A lula também é um bom indicador do estresse causado pelo homem nos ecossistemas. As lulas gigantes são muito sensíveis à emissão de sons de alta intensidade, como aqueles usados para pesquisa em sismologia ou geofísica, por exemplo. A lula também é muito afetada pela pesca intensiva em alto mar: segundo o mesmo estudo, estas desapareceram completamente de áreas de pesca intensiva, entre 2006 e 2008.

Enfim, segundo os pesquisadores, a imagem da lula é emblemática do impacto do homem nos oceanos. Adotá-la como símbolo da luta contra a degradação dos ecossistemas marinhos ajudaria a engajar o público e os governos nessa luta.

Será? A ideia é boa, mas será que o público aceitará esse bicho estranho, grande demais, e impossível de ver, como aceitou o panda fofo e fotogênico do WWF?

Última atualização em Dom, 26 de Junho de 2011 15:01
 
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